mais um caloteé o que devo levar esse mês. não é o primeiro e estatisticamente não deve ser o último. ano passado foram alguns. menos do que em outras épocas. mas esse ano parece que vai ser mais rápido que o normal.
tem calote que vem de cliente. tem calote que vem de amigos. tem calote de todo jeito. e todos têm os mesmos elementos básicos. um acordo, alguém que deve e não paga e alguém que deveria receber, mas não recebe.
o calote é diferente da dívida tradicional, entretanto. a dívida acontece quando alguém pede dinheiro emprestado a alguém. claramente. e quem empresta sabe que um dos riscos deste processo é justamente o de não receber o dinheiro devido.
o calote não é assim. o calote é cruel. o calote é uma facada nas costas. no calote, a confiança acaba. quem não paga, tinha o compromisso de pagar. não é dinheiro emprestado, do tipo vai e volta. é uma troca. eu te dou serviço e você me dá dinheiro. eu te dou um produto e você me dá o pagamento. eu te vendo qualquer coisa e você me compensa. tudo combinado.
só que uma das partes não cumpre o seu papel. e a outra fica com a mesma cara que eu estou fazendo agora. e fiz algumas vezes no passado. minhas bochechas ficam vermelhas e leva mais de uma hora e meia para voltar ao normal.
ninguém gosta de levar calote. mas eu sou pior pra estas coisas. porque eu não sei brigar. tem gente que sabe. vai à luta. importuna o caloteiro até receber. na pior das hipóteses, não recebe, mas dá muito trabalho e chateação pra quem não pagou.
eu não sou assim. eu só sei levar o prejuízo. sou perito nisso. se alguém tiver que sair perdendo no processo, você pode apostar duas fichas douradas em mim.
para não sofrer, tento esquecer. e conviver com isso sem pensar no assunto. tento lembrar das outras pessoas com quem convivo e que honram seus compromissos. tento pensar que isso é normal. que no mundo tem gente de todo jeito. faz parte da diversidade humana.
não tem funcionado bem. pior pra mim. bom pra quem tem fichas douradas. e apostou no jogador de bochechas vermelhas.
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